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última actualização:
1.Jan.200
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Uma Opinião sobre a Necessidade para Mudar (Melhorar)

(artigo integrado no projecto "Os Nossos Futuros")

artigo de Alberto Jorge Duarte Bidarra de Almeida

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"Se eu tenho uma maçã e tu tens uma maçã e as trocamos, os dois continuaremos com uma maçã cada um. Mas se eu tenho uma ideia e tu tens uma ideia e as trocamos, os dois passaremos a ter duas ideias cada um.

Bernard Shaw

São muitas as publicações em diferentes meios de comunicação espalhados por todo o mundo que evidenciam a abrupta transformação que o planeta está a sofrer. São também as mesmas publicações as que partilham a visão de que uma mudança cultural, agora em pleno desenvolvimento, terá o seu máximo expoente num futuro próximo sem que, no entanto, se saiba o que a provocará nem onde nos levará.

Pessoas pelo mundo fora procuram outras alternativas, novos caminhos e novas possibilidades, algo que responde perfeitamente ao nosso instinto de curiosidade que nos caracteriza mas que também, e cada vez mais, acontece por necessidade.

As possibilidades multiplicaram-se nos últimos vinte anos, os caminhos abrem-se cada dia e com tantas alternativas parece que ficamos muitas vezes na  mesma. Com pouco esforço é possível encontrar vários exemplos de descobrimentos e inovações que ajudam a promover o bem-estar, como também tradicionalismos que perdem todo o seu sentido nos tempos que correm. Ambos tipos de exemplos podem ser encontrados em relação à educação.

Enquanto esta transformação parece disposta a não parar, gerações e mais gerações estão destinadas a educar-se num sistema que estagnou, não oferece resposta ás necessidades actuais e não parece duvidar nem interrogar-se sobre a sua função primária (educar seres humanos), nem sobre o seu verdadeiro valor dentro da sociedade; noutras palavras, perdeu sentido de responsabilidade.

Considero que a dúvida é o primeiro passo para o descobrimento, crescimento ou evolução e que isto mesmo se pode aplicar tanto a uma pessoa como a um sistema inteiro, seja ele educativo, político ou judicial. Ainda mais, que o simples facto de tentar resolver essas dúvidas, com os seus riscos, oferece a oportunidade de ir mais além, de perceber que onde estava escuro existe tanto por explorar.

Da leitura dos textos "All our Cultures: Creativity, Culture and Education" e "An Education for the future" depreende-se, uma vez mais, a necessidade de reestruturar, organizar e adaptar o sistema educativo com o objectivo de o encaixar na realidade mutante que nos rodeia como também com o intuito de o preparar para o futuro, onde novas formas de vida, novas condições de trabalho, novas tecnologias e uma mudança social nos pede uma maior responsabilidade que como seres humanos temos para com o planeta.

Isto passa fundamentalmente por uma alteração da nossa atitude de pensamento que nos permita ver um espectro mais amplo da nossa realidade (pessoal e cultural), e o leve à remodelação dos nossos valores e ao respeito tanto por nós próprios como pelo mundo que habitamos. Nele, com a Natureza e a diversidade cultural que o equilíbrio referido nos mesmos textos tem de ser encontrado e para o qual é preciso começar pelo mais básico, trabalhando habilidades sociais e criativas que se relacionam com a transformação de percepções e conceitos.

Num mundo em constante mudança a percepção do mesmo altera-se e devemos então perguntar-nos se os conceitos que antes eram válidos, continuam a funcionar nesta nova realidade. Percepções e conceitos são a base dos nossos esquemas e teorias mentais que condicionam a nossa maneira de interactuar com o mundo. É através do trabalho de percepções e conceitos que se pode fazer entender ao aluno que a sua maneira de pensar não é ponto de referência para julgar os outros, tornando-se menos crítico e mais compreensivo em relação ás diferenças, podendo respeitar a maneira de ser de cada um.

Os dois tipos de educação propostos em "All our Cultures", criativa e cultural, permitem exactamente explorar esta diversidade sem a submeter a julgamento nem a considerar ameaçadora, para alargar o nosso conhecimento, aumentar o nosso respeito por outros pontos de vista e entender a necessidade de criar novas ideias e novas maneiras de actuar, nas quais a criatividade tem um papel fundamental.

Muitas provas podem ser encontradas sobre os benefícios da utilização de técnicas específicas que promovem a criatividade nos mais diversos âmbitos da sociedade, deixando de entende-la como algo místico. É verdade que estes resultados não fizeram com que o mundo, no seu todo, seja um melhor lugar para viver, mas melhoraram muitas facetas da vida das pessoas tanto a nível laboral, social, educacional como individual.

Não terá este facto suficiente valor para apostar nele? Ou serão os nossos medos e inseguranças os que nos bloqueiam quando nos enfrentamos a algo diferente? Considero que ambas as perguntas tem uma resposta afirmativa.

Estou de acordo com  a necessidade de criar novas formas de ensino. Para isto há que criar espaços onde as regras e limites transmitam conforto e confiança aos que neles participam, para explorar as suas mais variadas formas de expressão. Estes espaços podem existir dentro e fora das escolas. Dentro das escolas entendo que há que começar pela revisão do curriculum decidindo que matérias se podem omitir. Com os meios tecnológicos à disposição de alunos e alunas que com onze anos ou menos já navegam na net e entram em chat com pessoas de todo o mundo, é posssível dar mais responsabilidade a estes seres competentes e com vontade de aprender, para procurar e investigar através do computador as matérias que consomem semanas e semanas durante o ano lectivo. Por outro lado, os professores têm que ser modelos que para além de ensinar, acompanham e ajudam os alunos nas suas dificuldades e no seu crescimento pessoal, desenvolvendo outras facetas importantes num curriculum académico como são a emocional, criativa ou cultural.

Podem-se também desenvolver outras actividades extra-curriculares, intercâmbios inter-escolas dentro e fora do pais, ou workshops relacionados com diferentes temas, entre muitas outras. Os alunos de hoje precisam de mais estimulação que uma mesa, uma cadeira, um papel, uma caneta e um professor a ler em voz alta o livro de estudo, pois sabem onde conseguir essa estimulação noutros ambientes com outros meios. Depende de nós definir o tipo de relação que queremos, no entanto, pouco parece ser feito para mudar esta atitude.

Fora da escola poderiam, por exemplo, realizar-se acampamentos ou utilizar quintas abandonadas por todo o país, para de uma maneira mais continuada os alunos tivessem possibilidades de se descobrirem tanto a si mesmos como ao mundo. Imaginemos por exemplo uma quinta que durante duas ou três semanas é habitada por um conjunto de pessoas que partilham experiências em diferentes actividades. Estas podem ir desde trabalhos agrícolas ou jardinagem a workshps de música, teatro entre outros, de caminhadas por roteiros que permitam conhecer tanto fauna como flora ao treino em habilidades sociais e criativas utilizando métodos específicos (como o método dos seis chapéus para pensar de Edward de Bono e outros), da utilização de energias renováveis ao conhecimento de técnicas de relaxamento, da confecção de comidas com novos sabores de outras culturas assim como da nossa, ao contacto directo com pessoas integradas no mercado de trabalho que contam a sua experiência.

Ambas as possibilidades requerem um investimento económico e individual por parte daqueles que intervêm na educação de gerações cada vez mais descontentes com o actual sistema. Tal como diz Howard Gardner "teremos menos horas para dormir" pois o esforço para criar novos caminhos é grande mas a recompensa do mesmo talvez surja antes do que esperamos e beneficiará tanto alunos como professores.

Jonh Sulton, um dos mais importantes cientistas a nível mundial na investigação do código de ADN, também se pergunta onde levaram os seus descobrimentos. Diz que em vez de querermos criar super homens e super mulheres de olhos azuis, atléticos/as e com cérebros prodigiosos, devemos entusiasmar-nos com a diversidade humana. "As possibilidades cientificas são enormes mas também tão assustadoras."

O equilíbrio não vai ser encontrado por nenhum megacomputador mas sim vai ser determinado por homens e mulheres. Entendo este problema reconhecendo que a nossa capacidade de alterar o planeta (e de o destruir) está a crescer exponencialmente, pelo que considero que podemos sentir-nos outro elemento mais dentro da Natureza. Depende, em grande medida, do tipo de relação que queremos estabelecer com estes elementos para encontrar o equilíbrio.

Estaremos dispostos a melhorar as condições de vida presentes e futuras ou continuaremos a preocupar-nos somente com o nosso umbigo? Vamos alguma vez duvidar das nossas acções e pensamentos ou vamos proteger a nossa autoestima de qualquer tipo de embaraço sem nos perguntarmos se haverá outra maneira melhor de agir?

Temos, hoje em dia, meios tecnológicos para ajudar esta remodelação educativa, alguns temos a consciência desta transformação mundial e daí o nosso descontentamento em como a sociedade está a mudar. Falta saber se temos vontade (ou valor) de fazer com que o nosso passeio pelo mundo seja mais agradável e rico, começando pelas nossas próprias vidas, pois não se está a falar de outra coisa que não seja saúde.

Já, desde há séculos que na cultura chinesa se exploravam as emoções, relações sociais, hábitos de trabalho e ambiente para determinar o estado de saúde do paciente, que seria resultado destas funções internas e externas. Todas as artes guiadas por esta cultura têm como finalidade a exploração da energia (ch'i) que está dentro de nós, a exploração das formas em como esta energia é interiorizada e expressa é uma exploração do espírito que guia as nossas acções, governa o nosso futuro e nos dá a possibilidade de curar-nos a nós mesmos e ao planeta onde vivemos.

Sem pretender entrar a analisar em profundidade esta interpretação, acho que é uma boa maneira de visualizar como o equilíbrio aqui comentado, depende da interacção de diferentes factores que nos permitem uma melhor adaptação ao ambiente e onde a pessoa é o ponto de partida.

O meu ponto de vista sobre este problema é holista, que mais que fazer desaparecer sintomas tenta actuar a um nível mais global, daí a enorme alegria ao ler os dois textos.

Assim, a dúvida não está em se podemos fazer mais ou melhor mas sim em se queremos. E aí, todos temos uma palavra a dizer.